sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

QUE FOI A ESTRADA DAS BOIADAS?

Salvador cada vez mais, ia alargando sua população entre vizinhos, assim foram surgindo seus primeiros bairros, isso porquê, os comerciantes tinham que viajar por vários dias para comercializar seus produtos, além do comércio de bois locais.

Salvador foi começando a se dividir em bairros e avenidas, a partir do ano de 1911 com o objetivo de prosperar. No início com cinco distritos: Salvador, Nossa Senhora das Candeias, Água Comprida (Simões Filho), Ipitanga e Madre de Deus, até que em 1960, foram surgindo os bairros dentro de Salvador. E para expandir o comércio e alimentar as cidades, abriram uma longa estrada de acesso usado por todos os comerciantes ou retirantes migrantes. Era a chamada “Estrada das Boiadas”, onde passavam bois que vinham do sul (Vitória da Conquista – BA, Montes Claros – MG, do norte de Juazeiro – BA, de Souza – PB e dos sertões brasileiros para o comércio na “Feira de Capuame”, a feira de gados localizada nos municípios de Camaçari e de Dias D’avila até início do século XVII, exportado para o porto de Salvador.                                                                                     
Essa estrada segue até o primeiro mosteiro público de Salvador no século XVIII, localizado na área do Mosteiro de São Bento, que também existia um curral na praça da Piedade. E no século XIX, outros currais como Barbalho, Campo Grande, Itapagipe, Brotas e mais tarde no Cabula. A atual estrada Velha de Pirajá, acesso que permitiu as tropas nacionais vindas do recôncavo, chegaram a Salvador para expulsar os remanescentes das tropas de forças portuguesas. Ela liga Pirajá à BR 324, na altura do bairro de Águas Claras, passando por São Bartolomeu em Pirajá.              

Partindo do matadouro da parte da cidade alta, essa rota vai até o bairro da liberdade, passagem de bois que vinham do sertão para serem comercializados também na feira de Capuame, exportados do porto de Salvador. Em 1823, com a vitória da independência da Bahia, marchavam vitoriosos festejando a liberdade dos baianos dos domínios portugueses. Daí essa estrada recebeu o nome de “Estrada da Liberdade”, o que deu origem ao bairro da Liberdade, representado pela cultura negra logo após a abolição dos escravos, onde os negros libertos fugiram para o local. Formado esse bairro por pequenas casas de taipas, madeiras e barro, de salas pequenas na frente e telhados altos em pontos carentes. Daí descia para o largo do tanque antigo dique, represamento de águas vindas das partes altas de seu entorno, principalmente da Liberdade e do São Caetano, onde as boiadas vindas de feira de Santana por Pirajá, para o abatedouro do Retiro, paravam para beber água. Hoje aterrado esse dique, o Largo do Tanque é um bairro populoso e de pequenos comércios,e uma praça de lazer, além de ter sido construído nele o primeiro shopping center de Salvador. Esse seguimento segue para os bairros do Uruguai, Baixa do Fiscal, Calçada e da Avenida General San Martin, uma via de ligação entre os bairros do Largo do Tanque e do retiro, para levar os bois para serem abatidos no matadouro do bairro do Retiro para o comércio da carne e das vísceras dos animais, além de enterrar as redes doentes e restos de matanças dos bois. Ali mesmo passava o rio Camurujipe (atual rio das tripas, córrego de esgotos), nascido no alto da Boa Vista de São Caetano e sua foz no bairro do Costa azul, recebeu este apelido por ser usado para lavar as vísceras de gados do matadouro no Retiro.                                                                                              
A Avenida San Martin é ampla, onde cavaleiros percorriam com seus animais em direção aos consumidores em carroças, bondes, marinetes e pequenos veículos.                                      Direcionada também para a BR324 saída de Salvador o interior.                                       
Pequenos comerciantes interioranos iam se instalando na cidade, por ser perto do litoral e ser um comércio mundial de grande porte. Mas, com um enorme êxodo rural, Salvador cresceu desordenadamente e formou um miolo na capital baiana, já que se situa entre as vias da BR 324 e a Avenida Luis Viana Filho (Paralela).                                                                                                      Essa ocupação de área teve início na Avenida Silveira Martins, com o assentamento dos bairros do Cabula, Pernambués e São Gonçalo do Retiro.  O povoamento do bairro do Cabula foi formado pela vinda de negros, sobre tudo do Congo e Angola que se refugiaram aqui e se distraiam tocando e dançavam o kabula, ritmo quicongo religioso – originando o nome do bairro “Cabula”, formado por grandes terreiros e sacerdotes quicongo do candomblé, a exemplo da sacerdotisa Nicácia.                  
Mais tarde chegaram os negros nagôs e aos poucos formando o terreiro mais antigo do local, o “Ilê Axê Afonjá” (1910) por Obá Biyi (Eugênia Ana dos Santos – mãe Aninha). Além da formação de grandes chácaras produtoras de laranjas de umbigo vindas da Baía, e exportadas para a Califórnia. Entre 1940 e 1950 as pragas destruíram os laranjais e começou a expansão horizontal da cidade, com a vendas de antigas chácaras começam a avanço da urbanização dando origem ao bairro do Cabula. Lá encontramos a “Mata do Cascão”, reserva de espécies nativas como o pau pombo, matataúba, sucupira e janaúba é também o local onde se abriga o 19° Batalhão de Caçadores do Exército – 19BC, encontramos também a nascente do rio Cascão, um reservatório de 4.400m quadrados de água, construído em 1905 e 1907, pelo engenheiro Teodoro Sampaio. Hoje está contaminado por esgotos das casas.                                                                                                                                                                    Estendia assim o Cabula ao bairro do São Gonçalo do Retiro, um assentamento para viajantes que tinha trajetória de viajar para negociar suas mercadorias e a extração de minérios nas pedreiras do Cabula por volta de 1940,  ou descansar temporariamente seu corpo cansado.                                                                                                                                                     A sua história desse bairro é focada no patrimônio do “Terreiro “Ilê Opô Afonjá da mãe Estela de Oxossi” (Kêto) tombado em 28 de julho de 200 pelo PHANC, era constituído por quilombolas. No século XIX e início do XX com a derrubada dos quilombos a família Gomes Costa comprou a fazenda de São Gonçalo e começou a lotear suas redondezas. Assim, nasce o Arraial do Retiro, parte da fazenda do São Gonçalo que se expandia no alto para o Cabula e no baixo para o bairro do Retiro, saindo na Estrada das Boiadas 9atual BR324). Essa comunidade surgiu a partir da disponibilidade dessa fazenda para a exploração de uma pedreira, que hoje divide o local. A partir dos anos 70, começaram a surgir os primeiros condomínios residenciais, o avanço das terras urbanizadas sobre as áreas verdes, dão origem à Ladeira do Cabula.                                      





Um comentário:

  1. Quantas informações relevantes! Já conhecia algumas dessas histórias através de minha mãe, que desde menina mora no bairro, porém não todas.

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