Salvador cada vez mais, ia alargando sua população entre vizinhos, assim foram
surgindo seus primeiros bairros, isso porquê, os comerciantes tinham que viajar
por vários dias para comercializar seus produtos, além do comércio de bois
locais.
Salvador foi
começando a se dividir em bairros e avenidas, a partir do ano de 1911 com o
objetivo de prosperar. No início com cinco distritos: Salvador, Nossa Senhora
das Candeias, Água Comprida (Simões Filho), Ipitanga e Madre de Deus, até que
em 1960, foram surgindo os bairros dentro de Salvador. E
para expandir o comércio e alimentar as cidades, abriram uma longa estrada de
acesso usado por todos os comerciantes ou retirantes migrantes. Era a chamada
“Estrada das Boiadas”, onde passavam bois que vinham do sul (Vitória da
Conquista – BA, Montes Claros – MG, do norte de Juazeiro – BA, de Souza – PB e
dos sertões brasileiros para o comércio na “Feira de Capuame”, a feira de gados
localizada nos municípios de Camaçari e de Dias D’avila até início do século
XVII, exportado para o porto de Salvador.
Essa estrada segue
até o primeiro mosteiro público de Salvador no século XVIII, localizado na área
do Mosteiro de São Bento, que também existia um curral na praça da Piedade. E no
século XIX, outros currais como Barbalho, Campo Grande, Itapagipe, Brotas e
mais tarde no Cabula. A atual estrada
Velha de Pirajá, acesso que permitiu as tropas nacionais vindas do recôncavo,
chegaram a Salvador para expulsar os remanescentes das tropas de forças
portuguesas. Ela liga Pirajá à BR 324, na altura do bairro de Águas Claras,
passando por São Bartolomeu em Pirajá.
Partindo do matadouro da parte da cidade alta,
essa rota vai até o bairro da liberdade, passagem de bois que vinham do sertão
para serem comercializados também na feira de Capuame, exportados do porto de
Salvador. Em 1823, com a vitória da independência da Bahia, marchavam vitoriosos
festejando a liberdade dos baianos dos domínios portugueses. Daí essa estrada
recebeu o nome de “Estrada da Liberdade”, o que deu origem ao bairro da
Liberdade, representado pela cultura negra logo após a abolição dos escravos,
onde os negros libertos fugiram para o local. Formado esse bairro por pequenas
casas de taipas, madeiras e barro, de salas pequenas na frente e telhados altos
em pontos carentes. Daí descia para o largo do tanque antigo dique,
represamento de águas vindas das partes altas de seu entorno, principalmente da
Liberdade e do São Caetano, onde as boiadas vindas de feira de Santana por
Pirajá, para o abatedouro do Retiro, paravam para beber água. Hoje aterrado esse dique, o Largo do Tanque é um bairro populoso e de
pequenos comércios,e uma praça de lazer, além de ter sido construído nele o primeiro shopping center
de Salvador. Esse seguimento segue para os bairros do Uruguai, Baixa do Fiscal,
Calçada e da Avenida General San Martin, uma via de ligação entre os bairros do
Largo do Tanque e do retiro, para levar os bois para serem abatidos no
matadouro do bairro do Retiro para o comércio da carne e das vísceras dos animais, além de
enterrar as redes doentes e restos de matanças dos bois. Ali
mesmo passava o rio Camurujipe (atual rio das tripas, córrego de esgotos), nascido no alto da Boa
Vista de São Caetano e sua foz no bairro do Costa azul, recebeu este apelido
por ser usado para lavar as vísceras de gados do matadouro no Retiro.
A Avenida
San Martin é ampla, onde cavaleiros percorriam com seus animais em direção aos
consumidores em carroças, bondes, marinetes e pequenos veículos. Direcionada
também para a BR324 saída de Salvador o interior.
Pequenos comerciantes interioranos
iam se instalando na cidade, por ser perto do litoral e ser um comércio mundial
de grande porte. Mas, com um enorme êxodo rural, Salvador cresceu
desordenadamente e formou um miolo na capital baiana, já que se situa entre as
vias da BR 324 e a Avenida Luis Viana Filho (Paralela). Essa
ocupação de área teve início na Avenida Silveira Martins, com o assentamento dos
bairros do Cabula, Pernambués e São Gonçalo do Retiro. O povoamento do bairro do Cabula foi
formado pela vinda de negros, sobre tudo do Congo e Angola que se refugiaram aqui e se distraiam tocando e dançavam o kabula, ritmo quicongo religioso – originando o nome do
bairro “Cabula”, formado por grandes terreiros e sacerdotes quicongo do
candomblé, a exemplo da sacerdotisa Nicácia.
Mais tarde chegaram os negros nagôs e aos
poucos formando o terreiro mais antigo do local, o “Ilê Axê Afonjá” (1910) por
Obá Biyi (Eugênia Ana dos Santos – mãe Aninha). Além da formação de grandes
chácaras produtoras de laranjas de umbigo vindas da Baía, e exportadas para a
Califórnia. Entre 1940 e 1950
as pragas destruíram os laranjais e começou a expansão horizontal da cidade,
com a vendas de antigas chácaras começam a avanço da urbanização dando origem
ao bairro do Cabula. Lá encontramos a “Mata do Cascão”, reserva de espécies
nativas como o pau pombo, matataúba, sucupira e janaúba é também o local onde
se abriga o 19° Batalhão de Caçadores do Exército – 19BC, encontramos também a
nascente do rio Cascão, um reservatório de 4.400m quadrados de água, construído
em 1905 e 1907, pelo engenheiro Teodoro Sampaio. Hoje está contaminado por
esgotos das casas. Estendia
assim o Cabula ao bairro do São Gonçalo do Retiro, um assentamento para
viajantes que tinha trajetória de viajar para negociar suas mercadorias e a
extração de minérios nas pedreiras do Cabula por volta de 1940, ou descansar temporariamente seu corpo
cansado.
A sua história desse bairro é focada no patrimônio do “Terreiro “Ilê Opô
Afonjá da mãe Estela de Oxossi” (Kêto) tombado em 28 de julho de 200 pelo
PHANC, era constituído por quilombolas. No século XIX e início do XX com a
derrubada dos quilombos a família Gomes Costa comprou a fazenda de São Gonçalo
e começou a lotear suas redondezas. Assim, nasce o Arraial do Retiro, parte da
fazenda do São Gonçalo que se expandia no alto para o Cabula e no baixo para o
bairro do Retiro, saindo na Estrada das Boiadas 9atual BR324). Essa comunidade
surgiu a partir da disponibilidade dessa fazenda para a exploração de uma
pedreira, que hoje divide o local. A partir dos anos 70, começaram a surgir os
primeiros condomínios residenciais, o avanço das terras urbanizadas sobre as
áreas verdes, dão origem à Ladeira do Cabula.



Quantas informações relevantes! Já conhecia algumas dessas histórias através de minha mãe, que desde menina mora no bairro, porém não todas.
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